<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Thatá na Babilônia</title>
	<atom:link href="http://thaisferrari.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://thaisferrari.wordpress.com</link>
	<description>poesias, poemas, e-books e pensamentos</description>
	<lastBuildDate>Mon, 25 Jan 2010 01:38:02 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='thaisferrari.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Thatá na Babilônia</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://thaisferrari.wordpress.com/osd.xml" title="Thatá na Babilônia" />
	<atom:link rel='hub' href='http://thaisferrari.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Livro de Mágoas</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/livro-de-magoas/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/livro-de-magoas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 01:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=213</guid>
		<description><![CDATA[ESTE LIVRO &#8230; Este livro é de mágoas. Desgraçados Que no mundo passais, chorai ao lê-lo! Somente a vossa dor de Torturados Pode, talvez, senti-lo &#8230; e compreendê-lo. Este livro é para vós. Abençoados Os que o sentirem , sem ser bom nem belo! Bíblia de tristes &#8230; Ó Desventurados, Que a vossa imensa dor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=213&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ESTE LIVRO &#8230;</strong></p>
<p>Este livro é de mágoas. Desgraçados</p>
<p>Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!</p>
<p>Somente a vossa dor de Torturados</p>
<p>Pode, talvez, senti-lo &#8230; e compreendê-lo.</p>
<p>Este livro é para vós. Abençoados</p>
<p>Os que o sentirem , sem ser bom nem belo!<br />
Bíblia de tristes &#8230; Ó Desventurados,</p>
<p>Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!</p>
<p>Livro de Mágoas &#8230; Dores &#8230; Ansiedades!</p>
<p>Livro de Sombras &#8230; Névoas e Saudades!</p>
<p>Vai pelo mundo &#8230; (Trouxe-o no meu seio &#8230;)</p>
<p>Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,</p>
<p>Chorai comigo a minha imensa mágoa,</p>
<p>Lendo o meu livro só de mágoas cheio! &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>VAIDADE</strong></p>
<p>Sonho que sou a Poetisa eleita,</p>
<p>Aquela que diz tudo e tudo sabe,</p>
<p>Que tem a inspiração pura e perfeita,</p>
<p>Que reúne num verso a imensidade!</p>
<p>Sonho que um verso meu tem claridade</p>
<p>Para encher todo o mundo! E que deleita</p>
<p>Mesmo aqueles que morrem de saudade!</p>
<p>Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!</p>
<p>Sonho que sou Alguém cá neste mundo &#8230;</p>
<p>Aquela de saber vasto e profundo,</p>
<p>Aos pés de quem a Terra anda curvada!</p>
<p>E quando mais no céu eu vou sonhando,</p>
<p>E quando mais no alto ando voando,</p>
<p>Acordo do meu sonho &#8230; E não sou nada! &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>EU</strong></p>
<p>Eu sou a que no mundo anda perdida,</p>
<p>Eu sou a que na vida não tem norte,</p>
<p>Sou a irmã do Sonho, e desta sorte</p>
<p>Sou a crucificada &#8230; a dolorida &#8230;</p>
<p>Sombra de névoa ténue e esvaecida,</p>
<p>E que o destino amargo, triste e forte,</p>
<p>Impele brutalmente para a morte!</p>
<p>Alma de luto sempre incompreendida! &#8230;</p>
<p>Sou aquela que passa e ninguém vê &#8230;</p>
<p>Sou a que chamam triste sem o ser &#8230;</p>
<p>Sou a que chora sem saber porquê &#8230;</p>
<p>Sou talvez a visão que Alguém sonhou,</p>
<p>Alguém que veio ao mundo pra me ver</p>
<p>E que nunca na vida me encontrou!</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>CASTELÃ DA TRISTEZA</strong></p>
<p>Altiva e couraçada de desdém,</p>
<p>Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!</p>
<p>Passa por ele a luz de todo o amor &#8230;</p>
<p>E nunca em meu castelo entrou alguém!</p>
<p>Castelã da Tristeza, vês? &#8230; A quem? &#8230;</p>
<p>– E o meu olhar é interrogador –</p>
<p>Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr &#8230;</p>
<p>Chora o silêncio &#8230; nada &#8230; ninguém vem &#8230;</p>
<p>Castelã da Tristeza, porque choras</p>
<p>Lendo, toda de branco, um livro de horas,</p>
<p>À sombra rendilhada dos vitrais? &#8230;</p>
<p>À noite, debruçada, plas ameias,</p>
<p>Porque rezas baixinho? &#8230; Porque anseias? &#8230;</p>
<p>Que sonho afagam tuas mãos reais? &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TORTURA</strong></p>
<p>Tirar dentro do peito a Emoção,</p>
<p>A lúcida Verdade, o Sentimento!</p>
<p>– E ser, depois de vir do coração,</p>
<p>Um punhado de cinza esparso ao vento! &#8230;</p>
<p>Sonhar um verso de alto pensamento,</p>
<p>E puro como um ritmo de oração!</p>
<p>– E ser, depois de vir do coração,</p>
<p>O pó, o nada, o sonho dum momento &#8230;</p>
<p>São assim ocos, rudes, os meus versos:</p>
<p>Rimas perdidas, vendavais dispersos,</p>
<p>Com que eu iludo os outros, com que minto!</p>
<p>Quem me dera encontrar o verso puro,</p>
<p>O verso altivo e forte, estranho e duro,</p>
<p>Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>LÁGRIMAS OCULTAS</strong></p>
<p>Se me ponho a cismar em outras eras</p>
<p>Em que ri e cantei, em que era querida,</p>
<p>Parece-me que foi noutras esferas,</p>
<p>Parece-me que foi numa outra vida &#8230;</p>
<p>E a minha triste boca dolorida,</p>
<p>Que dantes tinha o rir das primaveras,</p>
<p>Esbate as linhas graves e severas</p>
<p>E cai num abandono de esquecida!</p>
<p>E fico, pensativa, olhando o vago &#8230;</p>
<p>Toma a brandura plácida dum lago</p>
<p>O meu rosto de monja de marfim &#8230;</p>
<p>E as lágrimas que choro, branca e calma,</p>
<p>Ninguém as vê brotar dentro da alma!</p>
<p>Ninguém as vê cair dentro de mim!</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TORRE DE NÉVOA</strong></p>
<p>Subi ao alto, à minha Torre esguia,</p>
<p>Feita de fumo, névoas e luar,</p>
<p>E pus-me, comovida, a conversar</p>
<p>Com os poetas mortos, todo o dia.</p>
<p>Contei-lhes os meus sonhos, a alegria</p>
<p>Dos versos que são meus, do meu sonhar,</p>
<p>E todos os poetas, a chorar,</p>
<p>Responderam-me então: “Que fantasia,</p>
<p>Criança doida e crente! Nós também</p>
<p>Tivemos ilusões, como ninguém,</p>
<p>E tudo nos fugiu, tudo morreu! &#8230;”</p>
<p>Calaram-se os poetas, tristemente &#8230;</p>
<p>E é desde então que eu choro amargamente</p>
<p>Na minha Torre esguia junto ao céu! &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>A MINHA DOR</strong></p>
<p>À você</p>
<p>A minha Dor é um convento ideal</p>
<p>Cheio de claustros, sombras, arcarias,</p>
<p>Aonde a pedra em convulsões sombrias</p>
<p>Tem linhas dum requinte escultural.</p>
<p>Os sinos têm dobres de agonias</p>
<p>Ao gemer, comovidos, o seu mal &#8230;</p>
<p>E todos têm sons de funeral</p>
<p>Ao bater horas, no correr dos dias &#8230;</p>
<p>A minha Dor é um convento. Há lírios</p>
<p>Dum roxo macerado de martírios,</p>
<p>Tão belos como nunca os viu alguém!</p>
<p>Nesse triste convento aonde eu moro,</p>
<p>Noites e dias rezo e grito e choro,</p>
<p>E ninguém ouve &#8230; ninguém vê &#8230; ninguém &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>DIZERES ÍNTIMOS</strong></p>
<p>É tão triste morrer na minha idade!</p>
<p>E vou ver os meus olhos, penitentes</p>
<p>Vestidinhos de roxo, como crentes</p>
<p>Do soturno convento da Saudade!</p>
<p>E logo vou olhar (com que ansiedade! &#8230;)</p>
<p>As minhas mãos esguias, languescentes,</p>
<p>De brancos dedos, uns bebês doentes</p>
<p>Que hão-de morrer em plena mocidade!</p>
<p>E ser-se novo é ter-se o Paraíso,</p>
<p>É ter-se a estrada larga, ao sol, florida,</p>
<p>Aonde tudo é luz e graça e riso!</p>
<p>E os meus vinte e três anos &#8230; (Sou tão nova!)</p>
<p>Dizem baixinho a rir: “Que linda a vida! &#8230;”</p>
<p>Responde a minha Dor: “Que linda a cova!”</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>AS MINHAS ILUSÕES</strong></p>
<p>Hora sagrada dum entardecer</p>
<p>De Outono, à beira-mar, cor de safira,</p>
<p>Soa no ar uma invisível lira &#8230;</p>
<p>O sol é um doente a enlanguescer &#8230;</p>
<p>A vaga estende os braços a suster,</p>
<p>Numa dor de revolta cheia de ira,</p>
<p>A doirada cabeça que delira</p>
<p>Num último suspiro, a estremecer!</p>
<p>O sol morreu &#8230; e veste luto o mar &#8230;</p>
<p>E eu vejo a urna de oiro, a balouçar,</p>
<p>À flor das ondas, num lençol de espuma.</p>
<p>As minhas Ilusões, doce tesoiro,</p>
<p>Também as vi levar em urna de oiro,</p>
<p>No mar da Vida, assim &#8230; uma por uma &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>NEURASTENIA</strong></p>
<p>Sinto hoje a alma cheia de tristeza!</p>
<p>Um sino dobra em mim Ave-Maria!</p>
<p>Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,</p>
<p>Faz na vidraça rendas de Veneza &#8230;</p>
<p>O vento desgrenhado chora e reza</p>
<p>Por alma dos que estão nas agonias!</p>
<p>E flocos de neve, aves brancas, frias,</p>
<p>Batem as asas pela Natureza &#8230;</p>
<p>Chuva &#8230; tenho tristeza! Mas porquê?!</p>
<p>Vento &#8230; tenho saudades! Mas de quê?!</p>
<p>Ó neve que destino triste o nosso!</p>
<p>Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!</p>
<p>Gritem ao mundo inteiro esta amargura,</p>
<p>Digam isto que sinto que eu não posso!! &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>PEQUENINA</strong></p>
<p>À Maria Helena Falcão Risques</p>
<p>És pequenina e ris &#8230; A boca breve</p>
<p>É um pequeno idílio cor-de-rosa &#8230;</p>
<p>Haste de lírio frágil e mimosa!</p>
<p>Cofre de beijos feito sonho e neve!</p>
<p>Doce quimera que a nossa alma deve</p>
<p>Ao Céu que assim te faz tão graciosa!</p>
<p>Que nesta vida amarga e tormentosa</p>
<p>Te fez nascer como um perfume leve!</p>
<p>O ver o teu olhar faz bem à gente &#8230;</p>
<p>E cheira e sabe, a nossa boca, a flores</p>
<p>Quando o teu nome diz, suavemente &#8230;</p>
<p>Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,</p>
<p>Que ela afaste de ti aquelas dores</p>
<p>Que fizeram de mim isto que sou!</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A MAIOR TORTURA</strong></p>
<p>A um grande poeta de Portugal!</p>
<p>Na vida, para mim, não há deleite.</p>
<p>Ando a chorar convulsa noite e dia &#8230;</p>
<p>E não tenho uma sombra fugidia</p>
<p>Onde poise a cabeça, onde me deite!</p>
<p>E nem flor de lilás tenho que enfeite</p>
<p>A minha atroz, imensa nostalgia! &#8230;</p>
<p>A minha pobre Mãe tão branca e fria</p>
<p>Deu-me a beber a Mágoa no seu leite!</p>
<p>Poeta, eu sou um cardo desprezado,</p>
<p>A urze que se pisa sob os pés.</p>
<p>Sou, como tu, um riso desgraçado!</p>
<p>Mas a minha tortura inda é maior:</p>
<p>Não ser poeta assim como tu és</p>
<p>Para gritar num verso a minha Dor! &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A FLOR DO SONHO</strong></p>
<p>A Flor do Sonho, alvíssima, divina,</p>
<p>Miraculosamente abriu em mim,</p>
<p>Como se uma magnólia de cetim</p>
<p>Fosse florir num muro todo em ruína.</p>
<p>Pende em meu seio a haste branda e fina</p>
<p>E não posso entender como é que, enfim,</p>
<p>Essa tão rara flor abriu assim! &#8230;</p>
<p>Milagre &#8230; fantasia &#8230; ou, talvez, sina &#8230;</p>
<p>Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,</p>
<p>Que tem que sejam tristes os meus olhos</p>
<p>Se eles são tristes pelo amor de ti?! &#8230;</p>
<p>Desde que em mim nasceste em noite calma,</p>
<p>Voou ao longe a asa da minha’alma</p>
<p>E nunca, nunca mais eu me entendi &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>NOITE DE SAUDADE</strong></p>
<p>A Noite vem poisando devagar</p>
<p>Sobre a Terra, que inunda de amargura &#8230;</p>
<p>E nem sequer a bênção do luar</p>
<p>A quis tornar divinamente pura &#8230;</p>
<p>Ninguém vem atrás dela a acompanhar</p>
<p>A sua dor que é cheia de tortura &#8230;</p>
<p>E eu oiço a Noite imensa soluçar!</p>
<p>E eu oiço soluçar a Noite escura!</p>
<p>Por que és assim tão escura, assim tão triste?!</p>
<p>É que, talvez, ó Noite, em ti existe</p>
<p>Uma Saudade igual à que eu contenho!</p>
<p>Saudade que eu sei donde me vem &#8230;</p>
<p>Talvez de ti, ó Noite! &#8230; Ou de ninguém! &#8230;</p>
<p>Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>ANGÚSTIA</strong></p>
<p>Tortura do pensar! Triste lamento!</p>
<p>Quem nos dera calar a tua voz!</p>
<p>Quem nos dera cá dentro, muito a sós,</p>
<p>Estrangular a hidra num momento!</p>
<p>E não se quer pensar! &#8230; e o pensamento</p>
<p>Sempre a morder-nos bem, dentro de nós &#8230;</p>
<p>Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –</p>
<p>O brilho duma estrela, com o vento! &#8230;</p>
<p>E não se apaga, não &#8230; nada se apaga!</p>
<p>Vem sempre rastejando como a vaga &#8230;</p>
<p>Vem sempre perguntando: “O que te resta? &#8230;”</p>
<p>Ah! não ser mais que o vago, o infinito!</p>
<p>Ser pedaço de gelo, ser granito,</p>
<p>Ser rugido de tigre na floresta!</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>AMIGA</strong></p>
<p>Deixa-me ser a tua amiga, Amor,</p>
<p>A tua amiga só, já que não queres</p>
<p>Que pelo teu amor seja a melhor,</p>
<p>A mais triste de todas as mulheres.</p>
<p>Que só, de ti, me venha mágoa e dor</p>
<p>O que me importa a mim?! O que quiseres</p>
<p>É sempre um sonho bom! Seja o que for,</p>
<p>Bendito sejas tu por mo dizeres!</p>
<p>Beija-me as mãos, Amor, devagarinho &#8230;</p>
<p>Como se os dois nascêssemos irmãos,</p>
<p>Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho &#8230;</p>
<p>Beija-mas bem! &#8230; Que fantasia louca</p>
<p>Guardar assim, fechados, nestas mãos</p>
<p>Os beijos que sonhei prà minha boca! &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>DESEJOS VÃOS</strong></p>
<p>Eu queria ser o Mar de altivo porte</p>
<p>Que ri e canta, a vastidão imensa!</p>
<p>Eu queria ser a Pedra que não pensa,</p>
<p>A pedra do caminho, rude e forte!</p>
<p>Eu queria ser o Sol, a luz imensa,</p>
<p>O bem do que é humilde e não tem sorte!</p>
<p>Eu queria ser a árvore tosca e densa</p>
<p>Que ri do mundo vão e até a morte!</p>
<p>Mas o Mar também chora de tristeza &#8230;</p>
<p>As árvores também, como quem reza,</p>
<p>Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!</p>
<p>E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,</p>
<p>Tem lágrimas de sangue na agonia!</p>
<p>E as Pedras &#8230; essas &#8230; pisa-as toda a gente! &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>PIOR VELHICE</strong></p>
<p>Sou velha e triste. Nunca o alvorecer</p>
<p>Dum riso são andou na minha boca!</p>
<p>Gritando que me acudam, em voz rouca,</p>
<p>Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!</p>
<p>A Vida, que ao nascer, enfeita e touca</p>
<p>De alvas rosas a fronte da mulher,</p>
<p>Na minha fronte mística de louca</p>
<p>Martírios só poisou a emurchecer!</p>
<p>E dizem que sou nova &#8230; A mocidade</p>
<p>Estará só, então, na nossa idade,</p>
<p>Ou está em nós e em nosso peito mora?!</p>
<p>Tenho a pior velhice, a que é mais triste,</p>
<p>Aquela onde nem sequer existe</p>
<p>Lembrança de ter sido nova &#8230; outrora &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>A UM LIVRO</strong></p>
<p>No silêncio de cinzas do meu Ser</p>
<p>Agita-se uma sombra de cipreste,</p>
<p>Sombra roubada ao livro que ando a ler,</p>
<p>A esse livro de mágoas que me deste.</p>
<p>Estranho livro aquele que escreveste,</p>
<p>Artista da saudade e do sofrer!</p>
<p>Estranho livro aquele em que puseste</p>
<p>Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!</p>
<p>Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!</p>
<p>O livro que me deste é meu, e salma</p>
<p>As orações que choro e rio e canto! &#8230;</p>
<p>Poeta igual a mim, ai que me dera</p>
<p>Dizer o que tu dizes! &#8230; Quem soubera</p>
<p>Velar a minha Dor desse teu manto! &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>ALMA PERDIDA</strong></p>
<p>Toda esta noite o rouxinol chorou,</p>
<p>Gemeu, rezou, gritou perdidamente!</p>
<p>Alma de rouxinol, alma da gente,</p>
<p>Tu és, talvez, alguém que se finou!</p>
<p>Tu és, talvez, um sonho que passou,</p>
<p>Que se fundiu na Dor, suavemente &#8230;</p>
<p>Talvez sejas a alma, a alma doente</p>
<p>Dalguém que quis amar e nunca amou!</p>
<p>Toda a noite choraste &#8230; e eu chorei</p>
<p>Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei</p>
<p>Que ninguém é mais triste do que nós!</p>
<p>Contaste tanta coisa à noite calma,</p>
<p>Que eu pensei que tu eras a minh’alma</p>
<p>Que chorasse perdida em tua voz! &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>DE JOELHOS</strong></p>
<p>“Bendita seja a Mãe que te gerou.”</p>
<p>Bendito o leite que te fez crescer</p>
<p>Bendito o berço aonde te embalou</p>
<p>A tua ama, pra te adormecer!</p>
<p>Bendita essa canção que acalentou</p>
<p>Da tua vida o doce alvorecer &#8230;</p>
<p>Bendita seja a Lua, que inundou</p>
<p>De luz, a Terra, só para te ver &#8230;</p>
<p>Benditos sejam todos que te amarem,</p>
<p>As que em volta de ti ajoelharem</p>
<p>Numa grande paixão fervente e louca!</p>
<p>E se mais que eu, um dia, te quiser</p>
<p>Alguém, bendita seja essa Mulher,</p>
<p>Bendito seja o beijo dessa boca!!</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>LANGUIDEZ</strong></p>
<p>Tardes da minha terra, doce encanto,</p>
<p>Tardes duma pureza de açucenas,</p>
<p>Tardes de sonho, as tardes de novenas,</p>
<p>Tardes de Portugal, as tardes de Anto,</p>
<p>Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!</p>
<p>Horas benditas, leves como penas,</p>
<p>Horas de fumo e cinza, horas serenas,</p>
<p>Minhas horas de dor em que eu sou santo!</p>
<p>Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,</p>
<p>Que poisam sobre duas violetas,</p>
<p>Asas leves cansadas de voar &#8230;</p>
<p>E a minha boca tem uns beijos mudos &#8230;</p>
<p>E as minhas mãos, uns pálidos veludos,</p>
<p>Traçam gestos de sonho pelo ar &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>PARA QUÊ?!</strong></p>
<p>Tudo é vaidade neste mundo vão &#8230;</p>
<p>Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!</p>
<p>E mal desponta em nós a madrugada,</p>
<p>Vem logo a noite encher o coração!</p>
<p>Até o amor nos mente, essa canção</p>
<p>Que o nosso peito ri à gargalhada,</p>
<p>Flor que é nascida e logo desfolhada,</p>
<p>Pétalas que se pisam pelo chão! &#8230;</p>
<p>Beijos de amor! Pra quê?! &#8230; Tristes vaidades!</p>
<p>Sonhos que logo são realidades,</p>
<p>Que nos deixam a alma como morta!</p>
<p>Só neles acredita quem é louca!</p>
<p>Beijos de amor que vão de boca em boca,</p>
<p>Como pobres que vão de porta em porta! &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>AO VENTO</strong></p>
<p>O vento passa a rir, torna a passar,</p>
<p>Em gargalhadas ásperas de demente;</p>
<p>E esta minh’alma trágica e doente</p>
<p>Não sabe se há-de rir, se há-de chorar!</p>
<p>Vento de voz tristonha, voz plangente,</p>
<p>Vento que ris de mim sempre a troçar,</p>
<p>Vento que ris do mundo e do amor,</p>
<p>A tua voz tortura toda a gente! &#8230;</p>
<p>Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!</p>
<p>Desabafa essa dor a sós comigo,</p>
<p>E não rias assim ! &#8230; Ó vento, chora!</p>
<p>Que eu bem conheço, amigo, esse fadário</p>
<p>Do nosso peito ser como um Calvário,</p>
<p>e a gente andar a rir pla vida fora!! &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>TÉDIO</strong></p>
<p>Passo pálida e triste. Oiço dizer:</p>
<p>“Que branca que ela é! Parece morta!”</p>
<p>e eu que vou sonhando, vaga, absorta,</p>
<p>não tenho um gesto, ou um olhar sequer &#8230;</p>
<p>Que diga o mundo e a gente o que quiser!</p>
<p>– O que é que isso me faz? O que me importa? &#8230;</p>
<p>O frio que trago dentro gela e corta</p>
<p>Tudo que é sonho e graça na mulher!</p>
<p>O que é que me importa?! Essa tristeza</p>
<p>É menos dor intensa que frieza,</p>
<p>É um tédio profundo de viver!</p>
<p>E é tudo sempre o mesmo, eternamente &#8230;</p>
<p>O mesmo lago plácido, dormente &#8230;</p>
<p>E os dias, sempre os mesmos, a correr &#8230;</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>A MINHA TRAGÉDIA</strong></p>
<p>Tenho ódio à luz e raiva à claridade</p>
<p>Do sol, alegre, quente, na subida.</p>
<p>Parece que a minh’alma é perseguida</p>
<p>Por um carrasco cheio de maldade!</p>
<p>Ó minha vã, inútil mocidade,</p>
<p>Trazes-me embriagada, entontecida! &#8230;</p>
<p>Duns beijos que me deste noutra vida,</p>
<p>Trago em meus lábios roxos, a saudade! &#8230;</p>
<p>Eu não gosto do sol, eu tenho medo</p>
<p>Que me leiam nos olhos o segredo</p>
<p>De não amar ninguém, de ser assim!</p>
<p>Gosto da Noite imensa, triste, preta,</p>
<p>Como esta estranha e doida borboleta</p>
<p>Que eu sinto sempre a voltejar em mim! &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>SEM REMÉDIO</strong></p>
<p>Aqueles que me têm muito amor</p>
<p>Não sabem o que sinto e o que sou &#8230;</p>
<p>Não sabem que passou, um dia, a Dor</p>
<p>À minha porta e, nesse dia, entrou.</p>
<p>E é desde então que eu sinto este pavor,</p>
<p>Este frio que anda em mim, e que gelou</p>
<p>O que de bom me deu Nosso Senhor!</p>
<p>Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!</p>
<p>Sinto os passos da Dor, essa cadência</p>
<p>Que é já tortura infinda, que é demência!</p>
<p>Que é já vontade doida de gritar!</p>
<p>E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,</p>
<p>A mesma angústia funda, sem remédio,</p>
<p>Andando atrás de mim, sem me largar!</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>MAIS TRISTE</strong></p>
<p>É triste, diz a gente, a vastidão</p>
<p>Do mar imenso! E aquela voz fatal</p>
<p>Com que ele fala, agita o nosso mal!</p>
<p>E a Noite é triste como a Extrema-Unção!</p>
<p>É triste e dilacera o coração</p>
<p>Um poente do nosso Portugal!</p>
<p>E não vêem que eu sou &#8230; eu &#8230; afinal,</p>
<p>A coisa mais magoada das que são?! &#8230;</p>
<p>Poentes de agonia trago-os eu</p>
<p>Dentro de mim e tudo quanto é meu</p>
<p>É um triste poente de amargura!</p>
<p>E a vastidão do Mar, toda essa água</p>
<p>Trago-a dentro de mim num mar de Mágoa!</p>
<p>E a noite sou eu própria! A Noite escura!!</p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong> </strong> </p>
<p><strong>VELHINHA</strong></p>
<p>Se os que me viram já cheia de graça</p>
<p>Olharem bem de frente em mim,</p>
<p>Talvez, cheios de dor, digam assim:</p>
<p>“Já ela é velha! Como o tempo passa! &#8230;”</p>
<p>Não sei rir e cantar por mais que faça!</p>
<p>Ó minhas mãos talhadas em marfim,</p>
<p>Deixem esse fio de oiro que esvoaça!</p>
<p>Deixem correr a vida até o fim!</p>
<p>Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!</p>
<p>Tenho cabelos brancos e sou crente &#8230;</p>
<p>Já murmuro orações &#8230; falo sozinha &#8230;</p>
<p>E o bando cor-de-rosa dos carinhos</p>
<p>Que tu me fazes, olho-os indulgente,</p>
<p>Como se fosse um bando de netinhos &#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>EM BUSCA DO AMOR</strong></p>
<p>O meu Destino disse-me a chorar:</p>
<p>“Pela estrada da Vida vai andando,</p>
<p>E, aos que vires passar, interrogando</p>
<p>Acerca do Amor, que hás-de encontrar.”</p>
<p>Fui pela estrada a rir e a cantar,</p>
<p>As contas do meu sonho desfilando &#8230;</p>
<p>E noite e dia, à chuva e ao luar,</p>
<p>Fui sempre caminhando e perguntando &#8230;</p>
<p>Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,</p>
<p>Viste o Amor acaso em teu caminho?”</p>
<p>E o velho estremeceu &#8230; olhou &#8230; e riu &#8230;</p>
<p>Agora pela estrada, já cansados,</p>
<p>Voltam todos pra trás desanimados &#8230;</p>
<p>E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu! &#8230;”</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>IMPOSSÍVEL</strong></p>
<p>Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:</p>
<p>“Parece Sexta-Feira de Paixão.</p>
<p>Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,</p>
<p>Sempre a pensar na dor que não existe &#8230;</p>
<p>O que é que tem?! Tão nova e sempre triste!</p>
<p>Faça por estar contente! Pois então?! &#8230;”</p>
<p>Quando se sofre, o que se diz é vão &#8230;</p>
<p>Meu coração, tudo, calado, ouviste &#8230;</p>
<p>Os meus males ninguém mos adivinha &#8230;</p>
<p>A minha Dor não fala, anda sozinha &#8230;</p>
<p>Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera! &#8230;</p>
<p>Os males de Anto toda a gente os sabe!</p>
<p>Os meus &#8230; ninguém &#8230; A minha Dor não cabe</p>
<p>Nos cem milhões de versos que eu fizera! &#8230;</p>
<p><em></em></p>
<p><em></em></p>
<p><em></em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>Livro de Mágoas, de Florbela Espanca</em></p>
<p>Fonte: <em>ESPANCA, Florbela. Sonetos. Amadora, Portugal : Bertrand, 1978.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/213/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=213&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/livro-de-magoas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Discurso del Comandante Che Guevara en la Asamblea General de las Naciones Unidas</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/discurso-del-comandante-che-guevara-en-la-asamblea-general-de-las-naciones-unidas/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/discurso-del-comandante-che-guevara-en-la-asamblea-general-de-las-naciones-unidas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 01:10:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=209</guid>
		<description><![CDATA[Señor Presidente, Señores Delegados: La representación de Cuba ante esta Asamblea se complace en cumplir, en primer término, el agradable deber de saludar la incorporación de tres nuevas naciones al importante número de las que aquí discuten problemas del mundo. Saludamos, pues, en las personas de su Presidente y Primeros Ministros, a los pueblos de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=209&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Señor Presidente,</p>
<p>Señores Delegados:</p>
<p>La representación de Cuba ante esta Asamblea se complace en cumplir, en primer término, el agradable deber de saludar la incorporación de tres nuevas naciones al importante número de las que aquí discuten problemas del mundo. Saludamos, pues, en las personas de su Presidente y Primeros Ministros, a los pueblos de Zambia, Malawi y Malta y hacemos votos porque estos países se incorporen desde el primer momento al grupo de naciones no alineadas que luchan contra el imperialismo, el colonialismo y el neocolonialismo.</p>
<p>Hacemos llegar también nuestra felicitación al Presidente de esta Asamblea, cuya exaltación a tan alto cargo tiene singular significación, pues ella refleja esta nueva etapa histórica de resonantes triunfos para los pueblos de Africa, hasta ayer sometidos al sistema colonial del imperialismo y que hoy, en su inmensa mayoría, en el ejercicio legítimo de su libre determinación, se han constituido en Estados soberanos. Ya ha sonado la hora postrera del colonialismo y millones de habitantes de Africa, Asia y América Latina se levantan al encuentro de una nueva vida e imponen su irrestricto derecho a la autodeterminación y el desarrollo independiente de sus naciones. Le deseamos, Señor Presidente, el mayor de los éxitos en la tarea que le fuera encomendada por los países miembros.</p>
<p>Cuba viene a fijar su posición sobre los puntos más importantes de controversia y lo hará con todo el sentido de la responsabilidad que entraña el hacer uso de esta tribuna, pero, al mismo tiempo, respondiendo al deber insoslayable de hablar con toda claridad y franqueza.</p>
<p>Quisiéramos ver desperezarse a esta Asamblea y marchar hacia adelante, que las Comisiones comenzaran su trabajo y que éste no se detuviera en la primera confrontación. El imperialismo quiere convertir esta reunión en un vano torneo oratorio en vez de resolver los graves problemas del mundo; debemos impedírselo. Esta Asamblea no debiera recordarse en el futuro sólo por el número XIX que la identifica. A lograr ese fin van encaminados nuestros esfuerzos.</p>
<p>Nos sentimos con el derecho y la obligación de hacerlo debido a que nuestro país es uno de los puntos constantes de fricción, uno de los lugares donde los principios que sustentan los derechos de los países pequeños a su soberanía están sometidos a prueba día a día, y minuto a minuto y, al mismo tiempo, una de las trincheras de la libertad del mundo situada a pocos pasos de imperialismo norteamericano para mostrar con su acción, con su ejemplo diario, que los pueblos sí pueden liberarse y sí pueden mantenerse libres en las actuales condiciones de la humanidad. Desde luego, ahora existe un campo socialista cada día más fuerte y con armas de contención más poderosas. Pero se requieren condiciones adicionales para la supervivencia: mantener la cohesión interna, tener fe en los propios destinos y decisión irrenunciable de luchar hasta la muerte en defensa del país y de la revolución. En Cuba se dan esas condiciones, Señores Delegados.</p>
<p>De todos los problemas candentes que deben tratarse en esta Asamblea, uno de los que para nosotros tiene particular significación y cuya definición creemos debe hacerse en forma que no deje dudas a nadie, es el de la coexistencia pacífica entre Estados de diferentes regímenes económico-sociales. Mucho se ha avanzado en el mundo en este campo; pero el imperialismo -norteamericano sobre todo- ha pretendido hacer creer que la coexistencia pacífica es de uso exclusivo de las grandes potencias de la tierra. Nosotros expresamos aquí lo mismo que nuestro Presidente expresara en El Cairo y lo que después quedara plasmado en la declaración de la Segunda Conferencia de Jefes de Estado o de Gobierno de países No Alineados: que no puede haber coexistencia pacífica entre poderosos solamente, si se pretende asegurar la paz del mundo. La coexistencia pacífica debe ejercitarse entre todos los Estados, independientemente de su tamaño, de las anteriores relaciones históricas que los ligara y de los problemas que se suscitaren entre algunos de ellos, en un momento dado.</p>
<p>Actualmente, el tipo de coexistencia pacífica a que nosotros aspiramos no se cumple en multitud de casos. El reino de Cambodia, simplemente por mantener una actitud neutral y no plegarse a las maquinaciones del imperialismo norteamericano se ha visto sujeto a toda clase de ataques alevosos y brutales partiendo de las bases que los yanquis tienen en Viet Nam del Sur. Laos, país dividido, ha sido objeto también de agresiones imperialistas de todo tipo, su pueblo masacrado desde el aire, las convenciones que se firmaran en Ginebra han sido violadas y parte del territorio está en constante peligro de ser atacado a mansalva por las fuerzas imperialistas. La República Democrática de Viet Nam, que sabe de todas estas historias de agresiones como pocos pueblos en la tierra, ha visto una vez más violadas sus fronteras, ha visto como aviones de bombardeo y cazas enemigos disparaban contra sus instalaciones; como los barcos de guerra norteamericanos, violando aguas territoriales, atacaban sus puesto navales. En estos instantes, sobre la República Democrática de Viet Nam pesa la amenaza de que los guerreristas norteamericanos extiendan abiertamente sobre su territorio y su pueblo la guerra que, desde hace varios años, están llevando a cabo contra el pueblo de Viet Nam del Sur. La Unión Soviética y la República Popular China, han hecho advertencias serias a los Estados Unidos. Estamos frente a un caso en el cual la paz del mundo está en peligro, pero, además, la vida de millones de seres de toda esta zona del Asia está constantemente amenazada, dependiendo de los caprichos del invasor norteamericano.</p>
<p>La coexistencia pacífica también se ha puesto a prueba en una forma brutal en Chipre debido a presiones del gobierno turco y de la OTAN, obligando a una heroica y enérgica defensa de su soberanía hecha por el pueblo de Chipre y su gobierno.</p>
<p>En todos estos lugares del mundo, el imperialismo trata de imponer su versión de lo que debe ser la coexistencia; son los pueblos oprimidos, en alianza con el campo socialista, los que le deben enseñar cuál es la verdadera, y es obligación de las Naciones Unidas apoyarlos.</p>
<p>También hay que esclarecer que no solamente en relaciones en las cuales están imputados Estados soberanos, los conceptos sobre la coexistencia pacífica deben ser bien definidos. Como marxistas, hemos mantenido que la coexistencia pacífica ente naciones no engloba la coexistencia entre explotadores y explotados, entre opresores y oprimidos. Es, además, un principio proclamado en el seno de esta Organización, el derecho a la plena independencia contra todas las formas de opresión colonial. Por eso, expresamos nuestra solidaridad hacia los pueblos, hoy coloniales, de la Guinea llamada portuguesa, de Angola o Mozambique, masacrados por el delito de demandar su libertad y estamos dispuestos a ayudarlos en la medida de nuestras fuerzas, de acuerdo con la declaración del Cairo.</p>
<p>Expresamos nuestra solidaridad al pueblo de Puerto Rico y su gran líder, Pedro Albizu Campos, el que, en un acto más de hipocresía, ha sido dejado en libertad a la edad de 72 años, sin habla casi, paralítico después de haber pasado en la cárcel toda una vida. Albizu Campos es un símbolo de la América todavía irredenta pero indómita. Años y años de prisiones, presiones casi insoportables en la cárcel, torturas mentales, la soledad, el aislamiento total de su pueblo y de su familia, la insolencia del conquistador y de sus lacayos en la tierra que le vio nacer; nada dobló su voluntad. La Delegación de Cuba rinde, en nombre de su pueblo, homenaje de admiración y gratitud a un patriota que dignifica a nuestra América.</p>
<p>Los norteamericanos han pretendido durante años convertir a Puerto Rico en un espejo de cultura híbrida; habla española con inflexiones en inglés, habla española con bisagras en el lomo para inclinarlo ante el soldado yanqui. Soldados portorriqueños han sido empleados como carne de cañón en guerras del imperio, como en Corea, y hasta para disparar contra sus propios hermanos, como es la masacre perpetrada por el ejército norteamericano, hace algunos meses, contra el pueblo inerme de Panamá -una de las más recientes fechorías del imperialismo yanqui.</p>
<p>Sin embargo, a pesar de esa tremenda violentación de su voluntad y su destino histórico, el pueblo de Puerto Rico ha conservado su cultura, su carácter latino, sus sentimientos nacionales, que muestran por sí mismos la implacable vocación de independencia yacente en las masas de la isla latinoamericana.</p>
<p>También debemos advertir que el principio de la coexistencia pacífica no entraña el derecho a burlar la voluntad de los pueblos, como ocurre en el caso de la Guayana llamada británica, en que el gobierno del Primer Ministro Cheddy Jagan ha sido víctima de toda clase de presiones y maniobras y se ha ido dilatando el instante de otorgarle la independencia, en la búsqueda de métodos que permitan burlar los deseos populares y asegurar la docilidad de un gobierno distinto al actual colocado allí por turbios manejos, para entonces otorgar una libertad castrada a este pedazo de tierra americana.</p>
<p>Cualesquiera que sean los caminos que la Guayana se vea obligada a seguir para obtenerla, hacia su pueblo va el apoyo moral y militante de Cuba.</p>
<p>Debemos señalar, asimismo, que las islas de Guadalupe y Martinica están luchando por su autonomía desde hace tiempo, sin lograrla, y ese estado de cosas no debe seguir.</p>
<p>Una vez más elevamos nuestra voz para alertar al mundo sobre lo que está ocurriendo en Sur Africa; la brutal política del «Apartheid» se aplica ante los ojos de las naciones del mundo. Los pueblos de Africa se ven obligados a soportar que en ese continente todavía se oficialice la superioridad de una raza sobre otra, que se asesine impunemente en nombre de esa superioridad racial. ¿Las Naciones Unidas no harán nada para impedirlo?</p>
<p>Quería referirme específicamente al doloroso caso del Congo, único en la historia del mundo moderno, que muestra cómo se pueden burlar con la más absoluta impunidad, con el cinismo más insolente, el derecho de los pueblos. Las ingentes riquezas que tiene el Congo y que las naciones imperialistas quieren mantener bajo su control son los motivos directos de todo esto. En la intervención que hubiera de hacer, a raíz de su primera visita a las Naciones Unidas, el compañero Fidel Castro advertía que todo el problema de la coexistencia entre las naciones se reducía al problema de la apropiación indebida de riquezas ajenas, y hacía la advocación siguiente: «cese la filosofía del despojo y cesará la filosofía de la guerra.» Pero la filosofía del despojo no sólo no ha cesado, sino que se mantiene más fuerte que nunca y, por eso, los mismos que utilizaron el nombre de las Naciones Unidas para perpetrar el asesinato de Lumumba, hoy, en nombre de la defensa de la raza blanca, asesinan a millares de congoleños.</p>
<p>¿Cómo es posible que olvidemos la forma en que fue traicionada la esperanza que Patricio Lumumba puso en las Naciones Unidas? ¿Cómo es posible que olvidemos los rejuegos y maniobras que sucedieron a la ocupación de ese país por las tropas de las Naciones Unidas, bajo cuyos auspicios actuaron impunemente los asesinos del gran patriota africano?</p>
<p>¿Cómo podremos olvidar, Señores Delegados, que quien desacató la autoridad de las Naciones Unidas en el Congo, y no precisamente por razones patrióticas, sino en virtud de pugnas entre imperialistas, fue Moisé Tshombe, que inició la secesión de Katanga con el apoyo belga?</p>
<p>¿Y cómo justificar, cómo explicar que, al final de toda la acción de las Naciones Unidas, Tshombe, desalojado de Katanga, regrese dueño y señor del Congo? ¿Quién podría negar el triste papel que los imperialistas obligaron a jugar a la Organización de Naciones Unidas?</p>
<p>En resumen se hicieron aparatosas movilizaciones para evitar la escisión de Katanga y hoy Tshombe está en el poder, las riquezas del Congo en manos imperialistas&#8230; y los gastos deben pagarlos las naciones dignas. ¡Qué buen negocio hacen los mercaderes de la guerra! Por eso, el gobierno de Cuba apoya la justa actitud de la Unión Soviética, al negarse a pagar los gastos del crimen.</p>
<p>Para colmo de escarnio, nos arrojan ahora al rostro estas últimas acciones que han llenado de indignación al mundo.</p>
<p>¿Quiénes son los autores? Paracaidistas belgas, transportados por aviones norteamericanos que partieron de bases inglesas. Nos recordamos que ayer, casi, veíamos a un pequeño país de Europa, trabajador y civilizado, el reino de Bélgica, invadido por las hordas hitlerianas; amargaba nuestra conciencia el saber de ese pequeño pueblo masacrado por el imperialismo germano y lo veíamos con cariño. Pero esta otra cara de la moneda imperialista era la que muchos no percibíamos.</p>
<p>Quizás hijos de patriotas belgas que murieran por defender la libertad de su país, son los que asesinaran a mansalva a millares de congoleños en nombre de la raza blanca, así como ellos sufrieron la bota germana porque su contenido de sangre aria no era suficientemente elevado.</p>
<p>Nuestros ojos libres se abren hoy a nuevos horizontes y son capaces de ver lo que ayer nuestra condición de esclavos coloniales nos impedía observar; que la «civilización occidental» esconde bajo su vistosa fachada un cuadro de hienas y chacales. Porque nada más que ese nombre merecen los que han ido a cumplir tan «humanitarias» tareas al Congo. Animal carnicero que se ceba en los pueblos inermes; eso es lo que hace el imperialismo con el hombre, eso es lo que distingue al «blanco» imperial.</p>
<p>Todos los hombres libres del mundo deben aprestarse a vengar el crimen del Congo.</p>
<p>Quizás muchos de aquellos soldados, convertidos en subhombres por la maquinaria imperialista, piensen de buena fe que están defendiendo los derechos de una raza superior; pero en esta Asamblea son mayoritarios los pueblos que tienen sus pieles tostadas por distintos soles, coloreadas por distintos pigmentos, y han llegado a comprender plenamente que la diferencia entre los hombres no está dada por el color de la piel, sino por las formas de propiedad de los medios de producción, por las relaciones de producción.</p>
<p>La delegación cubana hace llegar su saludo a los pueblos de Rhodesia del Sur y Africa Sudoccidental, oprimidos por minorías de colonos blancos. A Basutolandia, Bechuania y Swazilandia, a la Somalia francesa, al pueblo árabe de Palestina, a Adén y los protectorados, a Omán y a todos los pueblos en conflicto con el imperialismo o el colonialismo y les reitera su apoyo. Formula además votos por una justa solución al conflicto que la hermana República de Indonesia encara con Malasia.</p>
<p>Señor Presidente: uno de los temas fundamentales de esta Conferencia es el del desarme general y completo. Expresamos nuestro acuerdo con el desarme general y completo; propugnamos además, la destrucción total de los artefactos termonucleares y apoyamos la celebración de una conferencia de todos los países del mundo para llevar a cabo estas aspiraciones de los pueblos. Nuestro Primer Ministro advertía, en su intervención ante esta Asamblea, que siempre las carreras armamentistas han llevado a la guerra. Hay nuevas potencias atómicas en el mundo; las posibilidades de una confrontación crecen.</p>
<p>Nosotros consideramos que es necesaria esta conferencia con el objetivo de lograr la destrucción total de las armas termonucleares y, como primera medida, la prohibición total de las pruebas. Al mismo tiempo, debe establecerse claramente la obligación de todos los países de respetar las actuales fronteras de otros estados; de no ejercer acción agresiva alguna, aun cuando sea con armas convencionales.</p>
<p>Al unirnos a la voz de todos los países del mundo que piden el desarme general y completo, la destrucción de todo el arsenal atómico, el cese absoluto de la fabricación de nuevos artefactos termonucleares y las pruebas atómicas de cualquier tipo, creemos necesario puntualizar que, además, debe también respetarse la integridad territorial de las naciones y debe detenerse el brazo armado del imperialismo, no menos peligroso porque solamente empuñe armas convencionales. Quienes asesinaron miles de indefensos ciudadanos del Congo, no se sirvieron del arma atómica; han sido armas convencionales, empuñadas por el imperialismo, las causantes de tanta muerte.</p>
<p>Aun cuando las medidas aquí preconizadas, de hacerse efectivas, harían inútil la mención, es conveniente recalcar que no podemos adherirnos a ningún pacto regional de desnuclearización mientras Estados Unidos mantenga bases agresivas en nuestro propio territorio, en Puerto Rico, Panamá, y otros estados americanos donde se considera con derecho a emplazar, sin restricción alguna, tanto armas convencionales que nucleares. Descontando que las últimas resoluciones de la OEA, contra nuestro país, al que se podría agredir invocando el Tratado de Río, hace necesaria la posesión de todos los medios defensivos a nuestro alcance.</p>
<p>Creemos que, si la conferencia de que hablábamos lograra todos esos objetivos, cosa difícil, desgraciadamente, sería la más trascendental en la historia de la humanidad. Para asegurar esto sería preciso contar con la presencia de la República Popular China, y de ahí el hecho obligado de la realización de una reunión de ese tipo. Pero sería mucho más sencillo para los pueblos del mundo reconocer la verdad innegable de que existe la República Popular China, cuyos gobernantes son representantes únicos de su pueblo y darle el asiento a ella destinado, actualmente usurpado por la camarilla que con apoyo norteamericano mantiene en su poder la provincia de Taiwan.</p>
<p>El problema de la representación de China en las Naciones Unidas no puede considerarse en modo alguno como el caso de un nuevo ingreso en la Organización sino de restaurar los legítimos derecho de la República Popular China.</p>
<p>Debemos repudiar enérgicamente el complot de las «dos Chinas». La camarilla Chiangkaishekista de Taiwan no puede permanecer en la Organización de las Naciones Unidas. Se trata, repetimos, de expulsar al usurpador e instalar al legítimo representante del pueblo chino.</p>
<p>Advertimos además contra la insistencia del Gobierno de los Estados Unidos en presentar el problema de la legítima representación de China en la ONU como una «cuestión importante» al objeto de imponer el quórum extraordinario de votación de las dos terceras partes de los miembros presentes y votantes.</p>
<p>El ingreso de la República Popular China al seno de las Naciones Unidas es realmente una cuestión importante para el mundo en su totalidad, pero no para el mecanismo de las Naciones Unidas donde debe constituir una mera cuestión de procedimiento. De esta forma se haría justicia, pero casi tan importante como hacer justicia quedaría, además, demostrado de una vez que esta augusta asamblea tiene ojos para ver, oídos para oír, lengua propia para hablar, criterio certero para elaborar decisiones.</p>
<p>La difusión de armas atómicas entre los países de la OTAN y, particularmente la posesión de estos artefactos de destrucción en masa por la República Federal Alemana, alejarían más aún la posibilidad de un acuerdo sobre el desarme, y unido a estos acuerdos va el problema de la reunificación pacífica de Alemania. Mientras no se logre un entendimiento claro, debe reconocerse la existencia de dos Alemanias, la República Democrática Alemana y la República Federal. El problema alemán no puede arreglarse si no es con la participación directa en las negociaciones de la República Democrática Alemana, con plenos derechos.</p>
<p>Tocaremos solamente los temas sobre desarrollo económico y comercio internacional que tienen amplia representación en la agenda. En este mismo año del 64 se celebró la Conferencia de Ginebra donde se trataron multitud de puntos relacionados con estos aspectos de las relaciones internacionales. Las advertencias y predicciones de nuestra delegación se han visto confirmadas plenamente, para desgracia de los países económicamente dependientes.</p>
<p>Sólo queremos dejar señalado que, en lo que a Cuba respecta, los Estados Unidos de América no han cumplido recomendaciones explícitas de esa Conferencia y, recientemente, el Gobierno norteamericano prohibió también la venta de medicinas a Cuba, quitándose definitivamente la máscara de humanitarismo con que pretendió ocultar el carácter agresivo que tiene el bloqueo contra el pueblo de Cuba.</p>
<p>Por otra parte, expresamos una vez más que las lacras coloniales que detienen el desarrollo de los pueblos no se expresan solamente en relaciones de índole política: el llamado deterioro de los términos de intercambio no es otra cosa que el resultado del intercambio desigual entre países productores de materia prima y países industriales que dominan los mercados e imponen la aparente justicia de un intercambio igual de valores.</p>
<p>Mientras los pueblos económicamente dependientes no se liberen de los mercados capitalistas y, en firme bloque con los países socialistas, impongan nuestras relaciones entre explotadores y explotados, no habrá desarrollo económico sólido, y se retrocederá, en ciertas ocasiones volviendo a caer los países débiles bajo el domino político de los imperialistas y colonialistas.</p>
<p>Por último, Señores Delegados, hay que establecer claramente que se están realizando en el área del Caribe maniobras y preparativos para agredir a Cuba. En las costas de Nicaragua sobre todo, en Costa Rica también, en la zona del Canal de Panamá, en las Islas Vieques de Puerto Rico, en la Florida; probablemente, en otros puntos del territorio de los Estados Unidos y, quizás, también en Honduras, se están entrenando mercenarios cubanos y de otras nacionalidades con algún fin que no debe ser el más pacífico.</p>
<p>Después de un sonado escándalo, el Gobierno de Costa Rica, se afirma, ha ordenado la liquidación de todos los campos de adiestramiento de cubanos exiliados en ese país. Nadie sabe si esa actitud es sincera o si constituye una simple coartada, debido a que los mercenarios entrenados allí estén a punto de cometer alguna fechoría. Esperamos que se tome clara conciencia de la existencia real de bases de agresión, lo que hemos denunciado desde hace tiempo, y se medite sobre la responsabilidad internacional que tiene el gobierno de un país que autoriza y facilita el entrenamiento de mercenarios para atacar a Cuba.</p>
<p>Es de hacer notar que las noticias sobre el entrenamiento de mercenarios en distintos puntos del Caribe y la participación que tiene en tales actos el Gobierno norteamericano se dan con toda naturalidad en los periódicos de los Estados Unidos. No sabemos de ninguna voz latinoamericana que haya protestado oficialmente por ello. Esto nos muestra el cinismo con que manejan los Estados Unidos a sus peones. Los sutiles Cancilleres de la OEA que tuvieron ojos para ver escudos cubanos y encontrar pruebas «irrefutables» en las armas yanquis exhibidas en Venezuela, no ven los preparativos de agresión que se muestran en los Estados Unidos, como no oyeron la voz del presidente Kennedy que se declaraba explícitamente agresor de Cuba en Playa Girón.</p>
<p>En algunos casos es una ceguera provocada por el odio de las clases dominantes de países latinoamericanos sobre nuestra Revolución; en otros, más tristes aún, es producto de los deslumbrantes resplandores de Mammon.</p>
<p>Como es de todos conocido, después de la tremenda conmoción llamada crisis del Caribe, los Estados Unidos contrajeron con la Unión Soviética determinados compromisos que culminaron en la retirada de cierto tipo de armas que las continuas agresiones de aquel país -como el ataque mercenario de Playa Girón y las amenazas de invadir nuestra patria- nos obligaron a emplazar en Cuba en acto de legítima e irrenunciable defensa.</p>
<p>Pretendieron los norteamericanos, además, que las Naciones Unidas inspeccionaran nuestro territorio, a lo que nos negamos enfáticamente, ya que Cuba no reconoce el derecho de los Estados Unidos, ni de nadie en el mundo, a determinar el tipo de armas que pueda tener dentro de sus fronteras.</p>
<p>En este sentido, sólo acataríamos acuerdos multilaterales, con iguales obligaciones para todas las partes.</p>
<p>Como ha dicho Fidel Castro: «Mientras el concepto de soberanía exista como prerrogativa de las naciones y de los pueblos independientes; como derecho de todos los pueblos, nosotros no aceptamos la exclusión de nuestro pueblo de ese derecho. Mientras el mundo se rija por esos principios, mientras el mundo se rija por esos conceptos que tengan validez universal, porque son universalmente aceptados y consagrados por los pueblos, nosotros no aceptaremos que se nos prive de ninguno de esos derechos, nosotros no renunciaremos a ninguno de esos derechos.»</p>
<p>El señor Secretario General de las Naciones Unidas, U Thant, entendió nuestras razones. Sin embargo, los Estados Unidos pretendieron establecer una nueva prerrogativa arbitraria e ilegal: la de violar el espacio aéreo de cualquier país pequeño. Así han estado surcando el aire de nuestra patria aviones U-2 y otros tipos de aparatos espías que, con toda impunidad, navegan en nuestro espacio aéreo. Hemos hecho todas las advertencias necesarias para que cesen las violaciones aéreas, así como las provocaciones que los marinos yanquis hacen contra nuestras postas de vigilancia en la zona de Guantánamo, los vuelos rasantes de aviones sobre buques nuestros o de otras nacionalidades en aguas internacionales, los ataques piratas a barcos de distintas banderas y las infiltraciones de espías, saboteadores y armas en nuestra isla.</p>
<p>Nosotros queremos construir el socialismo; nos hemos declarado partidarios de los que luchan por la paz; nos hemos declarado dentro del grupo de países no alineados, a pesar de ser marxistas leninistas, porque los no alineados, como nosotros, luchan contra el imperialismo. Queremos paz, queremos construir una vida mejor para nuestro pueblo y, por eso, eludimos al máximo caer en las provocaciones maquinadas por los yanquis, pero conocemos la mentalidad de sus gobernantes; quieren hacernos pagar muy caro el precio de esa paz. Nosotros contestamos que ese precio no puede llegar más allá de las fronteras de la dignidad.</p>
<p>Y Cuba reafirma, una vez más, el derecho a tener en su territorio la armas que le conviniere y su negativa a reconocer el derecho de ninguna potencia de la tierra, por potente que sea, a violar nuestro suelo, aguas jurisdiccionales o espacio aéreo.</p>
<p>Si en alguna asamblea Cuba adquiere obligaciones de carácter colectivo, las cumplirá fielmente; mientras esto no suceda, mantiene plenamente todos sus derechos, igual que cualquier otra nación.</p>
<p>Ante las exigencias del imperialismo, nuestro Primer Ministro planteó los cinco puntos necesarios para que existiera una sólida paz en el Caribe. Estos son:</p>
<p>«Primero: Cese del bloqueo económico y de todas las medidas de presión comercial y económica que ejercen los Estados Unidos en todas partes del mundo contra nuestro país.</p>
<p>Segundo: Cese de todas las actividades subversivas, lanzamiento y desembarco de armas y explosivos por aire y mar, organización de invasiones mercenarias, filtración de espías y saboteadores, acciones todas que se llevan a cabo desde el territorio de los Estados Unidos y de algunos países cómplices.</p>
<p>Tercero: Cese de los ataques piratas que se llevan a cabo desde bases existentes en los Estados Unidos y en Puerto Rico.</p>
<p>Cuarto: Cese de todas las violaciones de nuestro espacio aéreo y naval por aviones y navíos de guerra norteamericanos.</p>
<p>Quinto: Retirada de la Base Naval de Guantánamo y devolución del territorio cubano ocupado por los Estados Unidos.» No se ha cumplido ninguna de estas exigencias elementales, y desde la Base Naval de Guantánamo, continúa el hostigamiento de nuestras fuerzas. Dicha Base se ha convertido en guarida de malhechores y catapulta de introducción de éstos en nuestro territorio.</p>
<p>Cansaríamos a esta Asamblea si hiciéramos un relato medianamente detallado de la multitud de provocaciones de todo tipo. Baste decir que el número de ellas, incluidos los primeros días de este mes de diciembre, alcanza la cifra de 1.323, solamente en 1964.</p>
<p>La lista abarca provocaciones menores, como violación de la línea divisoria, lanzamiento de objetos desde territorio controlado por los norteamericanos, realización de actos de exhibicionismo sexual por norteamericanos de ambos sexos, ofensas de palabra; otros de carácter más grave como disparos de armas de pequeño calibre, manipulación de armas apuntando a nuestro territorio y ofensas a nuestra enseña nacional; provocaciones gravísimas son: el cruce de la línea divisoria provocando incendios en instalaciones del lado cubano y disparos con fusiles, hecho repetido 78 veces durante el año, con el saldo doloroso de la muerte del soldado Ramón López Peña, de resultas de dos disparos efectuados por las postas norteamericanas situadas a 3,5 kilómetros de la costa por el límite noroeste. Esta gravísima provocación fue hecha a las 19:07, del día 19 de julio de 1964, y el Primer Ministro de nuestro Gobierno manifestó públicamente, el 26 de Julio, que de repetirse el hecho, se daría orden a nuestras tropas de repeler la agresión. Simultáneamente, se ordenó el retiro de las líneas de avanzada de las fuerzas cubanas hacia posiciones más alejadas de la divisoria y la construcción de casamatas adecuadas.</p>
<p>1.323 provocaciones en 340 días significan aproximadamente 4 diarias. Sólo un ejército perfectamente disciplinado y con la moral del nuestro puede resistir tal cúmulo de actos hostiles sin perder la ecuanimidad.</p>
<p>47 países reunidos en la Segunda Conferencia de Jefes de Estado o de Gobierno de países No Alineados, en El Cairo, acordaron, por unanimidad:</p>
<p>«La Conferencia advirtiendo con preocupación que las bases militares extranjeras constituyen, en la práctica, un medio para ejercer presión sobre las naciones, y entorpecen su emancipación y su desarrollo, según sus concepciones ideológicas, políticas, económicas y culturales, declara que apoya sin reserva a los países que tratan de lograr la supresión de las bases extranjeras establecidas en su territorio y pide a todos los Estados la inmediata evacuación de las tropas y bases que tienen en otros países.</p>
<p>La Conferencia considera que el mantenimiento por los Estados Unidos de América de una base militar en Guantánamo (Cuba), contra la voluntad del Gobierno y del pueblo de Cuba, y contra las disposiciones de la Declaración de la Conferencia de Belgrado, constituye una violación de la soberanía y de la integridad territorial de Cuba.</p>
<p>La Conferencia, considerando que el Gobierno de Cuba se declara dispuesto a resolver su litigio con el Gobierno de los Estados Unidos de América acerca de la base de Guantánamo en condiciones de igualdad, pide encarecidamente al Gobierno de los Estados Unidos que entable negociaciones con el Gobierno de Cuba para evacuar esa base.»</p>
<p>El gobierno de los Estados Unidos no ha respondido a esa instancia de la Conferencia de El Cairo y pretende mantener indefinidamente ocupado por la fuerza un pedazo de nuestro territorio, desde el cual lleva a cabo agresiones como las detalladas anteriormente.</p>
<p>La Organización de Estados Americanos, también llamada por los pueblos Ministerio de las Colonias norteamericanas, nos condenó «enérgicamente», aun cuando ya antes nos había excluido de su seno, ordenando a los países miembros que rompieran relaciones diplomáticas y comerciales con Cuba. La OEA autorizó la agresión a nuestro país, en cualquier momento, con cualquier pretexto, violando las más elementales leyes internacionales e ignorando por completo a la Organización de las Naciones Unidas.</p>
<p>A aquella medida se opusieron con sus votos los países de Uruguay, Bolivia, Chile y México; y se opuso a cumplir la sanción, una vez aprobada, el gobierno de los Estados Unidos Mexicanos; desde entonces no tenemos relaciones con países latinoamericanos salvo con aquel Estado, cumpliéndose así una de las etapas previas de la agresión directa del imperialismo.</p>
<p>Queremos aclarar, una vez más, que nuestra preocupación por Latinoamérica está basada en los lazos que nos unen: la lengua que hablamos, la cultura que sustentamos, el amo común que tuvimos. Que no nos anima otra causa para desear la liberación de Latinoamérica del yugo colonial norteamericano. Si alguno de los países latinoamericanos aquí presentes decidiera restablecer relaciones con Cuba, estaríamos dispuestos a hacerlo sobre bases de igualdad y no con el criterio de que es una dádiva a nuestro gobierno el reconocimiento como país libre del mundo, porque ese reconocimiento lo obtuvimos con nuestra sangre en los días de la lucha de liberación, lo adquirimos con sangre en la defensa de nuestras playas frente a la invasión yanqui.</p>
<p>Aun cuando nosotros rechazamos que se nos pretenda atribuir ingerencias en los asuntos internos de otros países, no podemos negar nuestra simpatía hacia los pueblos que luchan por su liberación y debemos cumplir con la obligación de nuestro gobierno y nuestro pueblo de expresar contundentemente al mundo que apoyamos moralmente y nos solidarizamos con los pueblos que luchan en cualquier parte del mundo para hacer realidad los derechos de soberanía plena proclamados en la Carta de las Naciones Unidas.</p>
<p>Los Estados Unidos sí intervienen; lo han hecho históricamente en América. Cuba conoce desde fines del siglo pasado esta verdad, pero la conocen también Colombia, Venezuela, Nicaragua y la América Central en general, México, Haití, Santo Domingo.</p>
<p>En años recientes, además de nuestro pueblo, conocen de la agresión directa Panamá, donde los «marines» del Canal tiraron a mansalva sobre el pueblo inerme; Santo Domingo, cuyas costas fueron violadas por la flota yanqui para evitar el estallido de la justa ira popular, luego del asesinato de Trujillo; y Colombia, cuya capital fue tomada por asalto a raíz de la rebelión provocada por el asesinato de Gaitán.</p>
<p>Se producen intervenciones solapadas por intermedio de las misiones militares que participan en la represión interna, organizando las fuerzas destinadas a ese fin en buen número de países, y también en todos los golpes de estado, llamados «gorilazos», que tantas veces se repitieron en el continente americano durante los últimos tiempos.</p>
<p>Concretamente, intervienen fuerzas de los Estados Unidos en la represión de los pueblos de Venezuela, Colombia y Guatemala que luchan con las armas por su libertad. En el primero de los países nombrados, no sólo asesoran al ejército y a la policía, sino que también dirigen los genocidios efectuados desde el aire contra la población campesina de amplias regiones insurgentes y, las compañías yanquis instaladas allí, hacen presiones de todo tipo para aumentar la ingerencia directa.</p>
<p>Los imperialistas se preparan a reprimir a los pueblos americanos y están formando la internacional del crimen. Los Estados Unidos intervienen en América invocando la defensa de las instituciones libres. Llegará el día en que esta Asamblea adquiera aún más madurez y le demande al gobierno norteamericano garantías para la vida de la población negra y latinoamericana que vive en este país, norteamericanos de origen o adopción, la mayoría de ellos. ¿Cómo puede constituirse en gendarme de la libertad quien asesina a sus propios hijos y los discrimina diariamente por el color de la piel, quien deja en libertad a los asesinos de los negros, los protege además, y castiga a la población negra por exigir el respeto a sus legítimos derechos de hombres libres?</p>
<p>Comprendemos que hoy la Asamblea no está en condiciones de demandar explicaciones sobre hechos, pero debe quedar claramente sentado que el gobierno de los Estados Unidos no es gendarme de la libertad, sino perpetuador de la explotación y la opresión contra los pueblos del mundo y contra buena parte de su propio pueblo.</p>
<p>Al lenguaje anfibológico con que algunos delegados han dibujado el caso de Cuba y la OEA nosotros contestamos con palabras contundentes y proclamamos que los pueblos de América cobrarán a los gobiernos entreguistas su traición.</p>
<p>Cuba, señores delegados, libre y soberana, sin cadenas que la aten a nadie, sin inversiones extranjeras en su territorio, sin procónsules que orienten su política, puede hablar con la frente alta en esta Asamblea y demostrar la justeza de la frase con que la bautizaran: «Territorio Libre de América.»</p>
<p>Nuestro ejemplo fructificará en el Continente como lo hace ya, en cierta medida en Guatemala, Colombia y Venezuela.</p>
<p>No hay enemigo pequeño ni fuerza desdeñable, porque ya no hay pueblos aislados. Como establece la Segunda Declaración de La Habana: «Ningún pueblo de América Latina es débil, porque forma parte de una familia de doscientos millones de hermanos que padecen las mismas miserias, albergan los mismos sentimientos, tienen el mismo enemigo, sueñan todos un mismo mejor destino y cuentan con la solidaridad de todos los hombres y mujeres honrados del mundo.</p>
<p>Esta epopeya que tenemos delante la van a escribir las masas hambrientas de indios, de campesinos sin tierra, de obreros explotados; la van a escribir las masas progresistas, los intelectuales honestos y brillantes que tanto abundan en nuestras sufridas tierras de América Latina. Lucha en masas y de ideas, epopeya que llevarán adelante nuestros pueblos maltratados y despreciados por el imperialismo, nuestros pueblos desconocidos hasta hoy, que ya empiezan a quitarle el sueño. Nos consideraban rebaño impotente y sumiso y ya se empieza a asustar de ese rebaño, rebaño gigante de doscientos millones de latinoamericanos en los que advierte ya sus sepultureros el capital monopolista yanqui.</p>
<p>La hora de su reivindicación, la hora que ella misma se ha elegido, la vienen señalando con precisión también de un extremo a otro del Continente. Ahora esta masa anónima, esta América de color, sombría, taciturna, que canta en todo el Continente con una misma tristeza y desengaño, ahora esta masa es la que empieza a entrar definitivamente en su propia historia, la empieza a escribir con su sangre, la empieza a sufrir y a morir, porque ahora los campos y las montañas de América, por las faldas de sus sierras, por sus llanuras y sus selvas, entre la soledad o el tráfico de las ciudades, en las costas de los grandes océanos y ríos, se empieza a estremecer este mundo lleno de corazones con los puños calientes de deseos de morir por lo suyo, de conquistar sus derechos casi quinientos años burlados por unos y por otros. Ahora sí la historia tendrá que contar con los pobres de América, con los explotados y vilipendiados, que han decidido empezar a escribir ellos mismos, para siempre, su historia. Ya se los ve por los caminos un día y otro, a pie, en marchas sin término de cientos de kilómetros, para llegar hasta los «olimpos» gobernantes a recabar sus derechos. Ya se les ve, armados de piedras, de palos, de machetes, en un lado y otro, cada día, ocupando las tierras, afincando sus garfios en las tierras que les pertenecen y defendiéndolas con sus vidas; se les ve, llevando sus cartelones, sus banderas, sus consignas; haciéndolas correr en el viento, por entre las montañas o a lo largo de los llanos. Y esa ola de estremecido rencor, de justicia reclamada, de derecho pisoteado, que se empieza a levantar por entre las tierras de Latinoamérica, esa ola ya no parará más. Esa ola irá creciendo cada día que pase. Porque esa ola la forman los más, los mayoritarios en todos los aspectos, los que acumulan con su trabajo las riquezas, crean los valores, hacen andar las ruedas de la historia y que ahora despiertan del largo sueño embrutecedor a que los sometieron.</p>
<p>Porque esta gran humanidad ha dicho «¡Basta!» y ha echado a andar. Y su marcha, de gigantes, ya no se detendrá hasta conquistar la verdadera independencia, por la que ya han muerto más de una vez inútilmente. Ahora, en todo caso, los que mueran, morirán como los de Cuba, los de Playa Girón, morirán por su única, verdadera e irrenunciable independencia.»</p>
<p>Todo eso, Señores Delegados, esta disposición nueva de un continente, de América, está plasmada y resumida en el grito que, día a día, nuestras masas proclaman como expresión irrefutable de su decisión de lucha, paralizando la mano armada del invasor. Proclama que cuenta con la comprensión y el apoyo de todos los pueblos del mundo y especialmente, del campo socialista, encabezado por la Unión Soviética.</p>
<p>Esa proclama es: Patria o muerte.</p>
<p>Periódico Revolución, 12 de diciembre de 1964.</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display:block;'><object width='640' height='390'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/Qd6Pn2JqSZU?version=3&rel=1&fs=1&showsearch=0&showinfo=1&iv_load_policy=1' /> <param name='allowfullscreen' value='true' /> <param name='wmode' value='opaque' /> <embed src='http://www.youtube.com/v/Qd6Pn2JqSZU?version=3&rel=1&fs=1&showsearch=0&showinfo=1&iv_load_policy=1' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='640' height='390' wmode='opaque'></embed> </object></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/209/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=209&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/discurso-del-comandante-che-guevara-en-la-asamblea-general-de-las-naciones-unidas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>OBSESSÃO DO MAR OCEANO</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/obsessao-do-mar-oceano/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/obsessao-do-mar-oceano/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 00:49:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=206</guid>
		<description><![CDATA[Vou andando feliz pelas ruas sem nome&#8230; Que vento bom sopra do Mar Oceano! Meu amor eu nem sei como se chama, Nem sei se é muito longe o Mar Oceano&#8230; Mas há vasos cobertos de conchinhas Sobre as mesas&#8230; e moças na janelas Com brincos e pulseiras de coral&#8230; Búzios calçando portas&#8230; caravelas Sonhando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=206&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou andando feliz pelas ruas sem nome&#8230;<br />
Que vento bom sopra do Mar Oceano!<br />
Meu amor eu nem sei como se chama,<br />
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano&#8230;<br />
Mas há vasos cobertos de conchinhas<br />
Sobre as mesas&#8230; e moças na janelas<br />
Com brincos e pulseiras de coral&#8230;<br />
Búzios calçando portas&#8230; caravelas<br />
Sonhando imóveis sobre velhos pianos&#8230;<br />
Nisto,<br />
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,<br />
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,<br />
De su&#8217;alma perdida e vaga na neblina&#8230;<br />
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!<br />
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,<br />
Uma caixa de música<br />
Uma bússola<br />
Um mapa figurado<br />
Uns poemas cheios de beleza única<br />
De estarem inconclusos&#8230;<br />
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!<br />
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas&#8230;<br />
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,<br />
Quando eu também já não tiver mais nome.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Mario Quintana</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/206/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/206/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/206/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/206/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/206/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/206/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/206/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/206/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/206/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/206/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/206/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/206/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/206/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/206/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=206&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/obsessao-do-mar-oceano/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A Rua dos Cataventos</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/a-rua-dos-cataventos/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/a-rua-dos-cataventos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 00:47:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mario Quintana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=204</guid>
		<description><![CDATA[Escrevo diante da janela aberta. Minha caneta é cor das venezianas: Verde!&#8230; E que leves, lindas filigranas Desenha o sol na página deserta! Não sei que paisagista doidivanas Mistura os tons&#8230; acerta&#8230; desacerta&#8230; Sempre em busca de nova descoberta, Vai colorindo as horas quotidianas&#8230; Jogos da luz dançando na folhagem! Do que eu ia escrever [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=204&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo diante da janela aberta.<br />
Minha caneta é cor das venezianas:<br />
Verde!&#8230; E que leves, lindas filigranas<br />
Desenha o sol na página deserta!</p>
<p>Não sei que paisagista doidivanas<br />
Mistura os tons&#8230; acerta&#8230; desacerta&#8230;<br />
Sempre em busca de nova descoberta,<br />
Vai colorindo as horas quotidianas&#8230;</p>
<p>Jogos da luz dançando na folhagem!<br />
Do que eu ia escrever até me esqueço&#8230;<br />
Pra que pensar? Também sou da paisagem&#8230;</p>
<p>Vago, solúvel no ar, fico sonhando&#8230;</p>
<p>E me transmuto&#8230; iriso-me&#8230; estremeço&#8230;<br />
Nos leves dedos que me vão pintando!</p>
<p style="text-align:right;"><em>Mario Quintana</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/204/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=204&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2010/01/25/a-rua-dos-cataventos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>As sem-razões do amor</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/as-sem-razoes-do-amor/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/as-sem-razoes-do-amor/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 04:37:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=202</guid>
		<description><![CDATA[As sem-razões do amor Eu te amo porque te amo, Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=202&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As sem-razões do amor</p>
<p>Eu te amo porque te amo,<br />
Não precisas ser amante,<br />
e nem sempre sabes sê-lo.<br />
Eu te amo porque te amo.<br />
Amor é estado de graça<br />
e com amor não se paga.</p>
<p>Amor é dado de graça,<br />
é semeado no vento,<br />
na cachoeira, no eclipse.<br />
Amor foge a dicionários<br />
e a regulamentos vários.</p>
<p>Eu te amo porque não amo<br />
bastante ou demais a mim.<br />
Porque amor não se troca,<br />
não se conjuga nem se ama.<br />
Porque amor é amor a nada,<br />
feliz e forte em si mesmo.</p>
<p>Amor é primo da morte,<br />
e da morte vencedor,<br />
por mais que o matem (e matam)<br />
a cada instante de amor.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/202/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=202&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/as-sem-razoes-do-amor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A bomba</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/a-bomba/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/a-bomba/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 03:48:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=200</guid>
		<description><![CDATA[A bomba A bomba é uma flor de pânico apavorando os floricultores A bomba é o produto quintessente de um laboratório falido A bomba é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles A bomba é grotesca de tão metuenda e coça a perna A bomba dorme no domingo até que os morcegos esvoacem A bomba [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=200&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A bomba</p>
<p>A bomba<br />
é uma flor de pânico apavorando os floricultores<br />
A bomba<br />
é o produto quintessente de um laboratório falido<br />
A bomba<br />
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles<br />
A bomba<br />
é grotesca de tão metuenda e coça a perna<br />
A bomba<br />
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem<br />
A bomba<br />
não tem preço não tem lugar não tem domicílio<br />
A bomba<br />
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece<br />
A bomba<br />
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está<br />
A bomba<br />
mente e sorri sem dente<br />
A bomba<br />
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados<br />
A bomba<br />
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada<br />
A bomba<br />
tem horas que sente falta de outra para cruzar<br />
A bomba<br />
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação<br />
A bomba<br />
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés<br />
A bomba<br />
faz week-end na Semana Santa<br />
A bomba<br />
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia<br />
A bomba<br />
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos<br />
interplanetários<br />
A bomba<br />
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose,<br />
de verborréia<br />
A bomba<br />
não é séria, é conspicuamente tediosa<br />
A bomba<br />
envenena as crianças antes que comece a nascer<br />
A bomba<br />
continua a envenená-las no curso da vida<br />
A bomba<br />
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais<br />
A bomba<br />
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba<br />
A bomba<br />
é um cisco no olho da vida, e não sai<br />
A bomba<br />
é uma inflamação no ventre da primavera<br />
A bomba<br />
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro,<br />
cobalto e ferro além da comparsaria<br />
A bomba<br />
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.<br />
A bomba<br />
não admite que ninguém acorde sem motivo grave<br />
A bomba<br />
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos<br />
A bomba<br />
mata só de pensarem que vem aí para matar<br />
A bomba<br />
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe<br />
A bomba<br />
saboreia a morte com marshmallow<br />
A bomba<br />
arrota impostura e prosopéia política<br />
A bomba<br />
cria leopardos no quintal, eventualmente no living<br />
A bomba<br />
é podre<br />
A bomba<br />
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado<br />
A bomba<br />
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo<br />
A bomba<br />
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade<br />
A bomba<br />
tem um clube fechadíssimo<br />
A bomba<br />
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel<br />
A bomba<br />
é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris<br />
A bomba<br />
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos<br />
de paz<br />
A bomba<br />
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas<br />
A bomba<br />
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger<br />
velhos e criancinhas<br />
A bomba<br />
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer<br />
A bomba<br />
é câncer<br />
A bomba<br />
vai à Lua, assovia e volta<br />
A bomba<br />
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação<br />
em cadeia<br />
A bomba<br />
está abusando da glória de ser bomba<br />
A bomba<br />
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba<br />
o instante inefável<br />
A bomba<br />
fede<br />
A bomba<br />
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina<br />
A bomba<br />
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve<br />
A bomba<br />
não destruirá a vida<br />
O homem<br />
(tenho esperança) liquidará a bomba.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/200/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/200/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/200/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/200/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/200/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/200/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/200/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/200/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/200/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/200/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/200/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/200/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/200/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/200/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=200&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/a-bomba/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Diante das fotos de Evandro Teixeira</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/diante-das-fotos-de-evandro-teixeira/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/diante-das-fotos-de-evandro-teixeira/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 02:56:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=198</guid>
		<description><![CDATA[Diante das fotos de Evandro Teixeira A pessoa, o lugar, o objeto estão espostos e escondidos ao mesmo tempo so a luz, e dois olhos não ão bastantes para captar o que se oculta no rápido florir de um gesto. É preciso que a lente mágica enriqueça a visão humana e do real de cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=198&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diante das fotos de Evandro Teixeira</p>
<p>A pessoa, o lugar, o objeto<br />
estão espostos e escondidos<br />
ao mesmo tempo so a luz,<br />
e dois olhos não ão bastantes<br />
para captar o que se oculta<br />
no rápido florir de um gesto.</p>
<p>É preciso que a lente mágica<br />
enriqueça a visão humana<br />
e do real de cada coisa<br />
um mais seco real extraia<br />
para que penetremos fundo<br />
no puro enigma das figuras.</p>
<p>Fotografia &#8211; é o codinome<br />
da mais aguda percepção<br />
que a nós mesmos nos vai mostrando<br />
e da evanescência de tudo,<br />
edifica uma penanência,<br />
cristal do tempo no papel.</p>
<p>Das luas de rua no Rio<br />
em 68, que nos resta<br />
mais positivo, mais queimante<br />
do que as fotos acusadoras,<br />
tão vivas hoje como então,<br />
a lembrar como a exorcizar?</p>
<p>Marcas de enchente e do despejo,<br />
o cadáver inseputável,<br />
o colchão atirado ao vento,<br />
a lodosa, podre favela,<br />
o mendigo de Nova York<br />
a moça em flor no Jóquei Clube,</p>
<p>Garrincha e nureyev, dança<br />
de dois destinos, mães-de-santo<br />
na praia-templo de Ipanema,<br />
a dama estranha de Ouro Preto,<br />
a dor da América Latina,<br />
mitos não são, pois são fotos.</p>
<p>Fotografia: arma de amor,<br />
de justiça e conhecimento,<br />
pelas sete partes do mundo<br />
a viajar, a surpreender<br />
a tormentosa vida do homem<br />
e a esperança a brotar das cinzas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/198/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=198&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/diante-das-fotos-de-evandro-teixeira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Mãos Dadas</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/maos-dadas/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/maos-dadas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 02:50:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=196</guid>
		<description><![CDATA[Mãos dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considere a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=196&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mãos dadas</p>
<p>Não serei o poeta de um mundo caduco.<br />
Também não cantarei o mundo futuro.<br />
Estou preso à vida e olho meus companheiros<br />
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.<br />
Entre eles, considere a enorme realidade.<br />
O presente é tão grande, não nos afastemos.<br />
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.<br />
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.<br />
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.<br />
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.<br />
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.<br />
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,<br />
a vida presente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/196/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/196/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/196/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=196&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/maos-dadas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O Mundo é grande</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/o-mundo-e-grande/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/o-mundo-e-grande/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 02:49:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=194</guid>
		<description><![CDATA[O mundo é grande O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar. (Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”)<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=194&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo é grande</p>
<p>O mundo é grande e cabe<br />
nesta janela sobre o mar.<br />
O mar é grande e cabe<br />
na cama e no colchão de amar.<br />
O amor é grande e cabe<br />
no breve espaço de beijar. </p>
<p>(Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/194/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=194&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/o-mundo-e-grande/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>E agora José?</title>
		<link>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/e-agora-jose/</link>
		<comments>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/e-agora-jose/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 02:44:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thaisferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://thaisferrari.wordpress.com/?p=191</guid>
		<description><![CDATA[José E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, Você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, Você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=191&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>José</p>
<p>E agora, José?<br />
A festa acabou,<br />
a luz apagou,<br />
o povo sumiu,<br />
a noite esfriou,<br />
e agora, José?<br />
e agora, Você?<br />
Você que é sem nome,<br />
que zomba dos outros,<br />
Você que faz versos,<br />
que ama, protesta?<br />
e agora, José?</p>
<p>Está sem mulher,<br />
está sem discurso,<br />
está sem carinho,<br />
já não pode beber,<br />
já não pode fumar,<br />
cuspir já não pode,<br />
a noite esfriou,<br />
o dia não veio,<br />
o bonde não veio,<br />
o riso não veio,<br />
não veio a utopia<br />
e tudo acabou<br />
e tudo fugiu<br />
e tudo mofou,<br />
e agora, José?</p>
<p>E agora, José?<br />
sua doce palavra,<br />
seu instante de febre,<br />
sua gula e jejum,<br />
sua biblioteca,<br />
sua lavra de ouro,<br />
seu terno de vidro,<br />
sua incoerência,<br />
seu ódio, &#8211; e agora?</p>
<p>Com a chave na mão<br />
quer abrir a porta,<br />
não existe porta;<br />
quer morrer no mar,<br />
mas o mar secou;<br />
quer ir para Minas,<br />
Minas não há mais.<br />
José, e agora?</p>
<p>Se você gritasse,<br />
se você gemesse,<br />
se você tocasse,<br />
a valsa vienense,<br />
se você dormisse,<br />
se você consasse,<br />
se você morresse&#8230;.<br />
Mas você não morre,<br />
você é duro, José!</p>
<p>Sozinho no escuro<br />
qual bicho-do-mato,<br />
sem teogonia,<br />
sem parede nua<br />
para se encostar,<br />
sem cavalo preto<br />
que fuja do galope,<br />
você marcha, José!<br />
José, para onde?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/thaisferrari.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/thaisferrari.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/thaisferrari.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/thaisferrari.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/thaisferrari.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/thaisferrari.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/thaisferrari.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/thaisferrari.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/thaisferrari.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/thaisferrari.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/thaisferrari.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/thaisferrari.wordpress.com/191/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/thaisferrari.wordpress.com/191/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/thaisferrari.wordpress.com/191/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=thaisferrari.wordpress.com&amp;blog=1266301&amp;post=191&amp;subd=thaisferrari&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://thaisferrari.wordpress.com/2008/12/19/e-agora-jose/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b26d6e5f77ba2562ace3f03f7882d3a4?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">thaisferrari</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
