Thatá na Babilônia











{Dezembro 19, 2008}   Poema que aconteceu

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.



{Dezembro 19, 2008}   A um ausente

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.



{Dezembro 19, 2008}   Acordar, viver

Acordar, viver

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.



{Dezembro 19, 2008}   Não Passou

Não passou

Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?

Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.



{Dezembro 19, 2008}   Receita de Ano Novo

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade



{Novembro 17, 2008}   Tudo numa coisa só

“Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem vindo ao teatro mágico!
sintaxe a vontade…”

Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
A partir de sempre toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida,
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto,
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas.
E estar entre vírgulas é aposto e eu aposto o oposto que vou cativar a todos sendo apenas um sujeito simples,
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa e sua prece,
Que a regência da paz sirva a todos nós,
Cegos ou não, que enxerguemos o fato de termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica e de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa mas ser a capa e ser contra-capa é a beleza da contradição, é negar a si mesmo
e negar a si mesmo é muitas vezes, encontrar-se com Deus,
com o teu Deus.
Sem horas e sem dores,
Que nesse encontro que acontece agora,
Cada um possa se encontrar no outro, até porque…

…Tem horas que a gente se pergunta: por que é que não se junta tudo numa coisa só?

O Teatro Mágico



{Novembro 17, 2008}  

Ce n’est pas pays sérieux! Já dizia o Gen. Charles de Gaulle.
O que somos afinal? Um país Pererê? Folclórico? Tropical? Misturando guerra urbana com morte e carnaval? – Um povo de degradados? – Filhos degradados largados no litoral? – Um povo-macunaíma sem caráter nacional? Ou somos um conto de fadas, um engano fabuloso, narrado por um menino bobo. História de chapeuzinho já na barriga do lobo? Porque só nos contos de fada os pobres fracos vencem e os ricos ogres?

Espelho, espelho meu! Há um país mais perdido que o meu? Espelho, espelho meu! Há governos mais omissos que o meu? Espelho, espelho meu! Há um povo mais passivo que o meu? E o espelho respondeu algo que se perdeu entre o inferno que padeço e o desencanto do céu.

Autor: Affonso Romano de Santana – Poeta,crítico, professor de literatura Brasileira =- PUC-Rio Publicação feita há mais de 30 anos.



{Novembro 17, 2008}   Um pouco de Gandhi e Madre Tereza

A minha fé mais profunda é que podemos mudar o mundo pela verdade e pelo amor. (Gandhi)

A força não provém de uma capacidade física e sim de uma vontade indomável. (Gandhi)

O único tirano que aceito nesse mundo é a pequena voz silenciosa que há dentro de mim. (Gandhi)

Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim. Ou são ramos da mesma árvore majestosa. Portanto, são todas verdadeiras. (Gandhi)

Outro dia sonhei que estava nos portões do Paraíso. E São Pedro disse, ‘Volte para a Terra. Não existem favelas aqui. (Madre Tereza)

(Citação de sua conversa com o Príncipe Michael da Grécia em 1996.)

Quando vejo o desperdício, sinto raiva dentro de mim. Eu não aprovo eu mesma sentir raiva. Mas é algo que não se pode evitar de se sentir após vermos a Etiópia. (Madre Tereza)  – Washington 1984.

Às vezes pensamos que a pobreza é apenas fome, nudez e desabrigo. A pobreza de não ser desejado, não ser amado e não ser cuidado é a maior pobreza. É preciso começar em nossos lares o remédio para esse tipo de pobreza. (Madre Tereza)

Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona… Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação. (Madre Tereza)

Nós mesmos sentimos que o que fazemos é uma gota no oceano. Mas o oceano seria menor se essa gota faltasse. (Madre Tereza)

A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado. (Madre Tereza)

É ocioso pensar sobre o justo o e injusto, o certo e o errado e os feitos passados. O útil é analisar, e se possível extrair uma lição para o futuro. (Gandhi)

Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida.  Se cuidamos do hoje, Deus cuidará do amanhã. (Gandhi)

Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las. (Madre Tereza)

Tento dar aos pobres de amor o que os ricos conseguem com o dinheiro. Não, eu não trocaria um leproso por mil pounds; contudo, de boa vontade o curarei pelo amor de Deus. (Madre Tereza)

“Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor. (Madre Tereza)

Não ser desejado, não ser amado, não ser cuidado, ser esquecido por todos, isso acredito ser fome muito maior, uma pobreza muito maior do que a de uma pessoa que não tenha nada para comer. (Madre Tereza)

Não pense que o amor, para ser genuíno, tenha que ser extraor-dinário. O que é preciso é amarmos sem nos cansarmos de fazê-lo. (Madre Tereza)

Tenha fé nas pequenas coisas, pois é nelas que a sua força reside. (Madre Tereza)

Sei que Deus não me dará nada que eu não possa lidar. Apenas gostaria que Ele não confiasse tanto em mim. (Madre Tereza)

Nesta vida, não podemos realizar grandes coisas. Podemos apenas fazer pequenas coisas com um grande amor. (Madre Tereza)

Não nos sintamos satisfeitos apenas dando dinheiro. O dinheiro não é suficiente, o dinheiro pode ser obtido, mas eles precisam de seu coração para amá-los. Portanto, espalhe o seu amor por onde quer que vá. (Madre Tereza)



{Setembro 6, 2008}   Clarisse Lispector

Clarisse Lispector.Clarrise Lispector



{Junho 8, 2008}  

“Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mais tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só…”



etc.